Sakatindi reage à ameaça de Beatriz Franck e promete continuar a investigar alegados crimes
O jovem investigador e perito forense Sabalo Salazar, conhecido por “Sakatindi”, reagiu à ameaça da empresária Beatriz Franck, que terá anunciado uma recompensa de três milhões de kwanzas para quem conseguisse localizá-lo, com o propósito de processá-lo por alegada difamação e calúnia.
Em declarações exclusivas ao Elite Post, Sakatindi classificou Beatriz Franck como uma “rufia” e afirmou que não pretende recuar nas investigações que vem realizando sobre alegadas práticas criminosas que atribui à empresária e a pessoas próximas.
“Vou continuar a investigar e a expor publicamente tudo aquilo que encontrar, para que o país saiba quem é, de facto, a suposta empresária”, afirmou.
Numa nova publicação na sua página do Facebook, o investigador voltou a dirigir críticas à empresária, utilizando a expressão “Beatriz Franck, a rufiã invisível”, e fazendo referência a alegadas transferências bancárias, exploração sexual e a um processo judicial cujo julgamento estaria marcado para esta quarta-feira, 9 de Setembro.
Segundo Sakatindi, o Laboratório Sakatindi esteve esta terça-feira no Tribunal Dona Ana Joaquina para acompanhar o julgamento de Umbelina Batalha, também conhecida por Yara Batalha, que, de acordo com a publicação, se encontra detida na Cadeia de Viana e responde por alegados crimes de rufianismo, falsificação de documentos e tráfico de menores.
O julgamento, contudo, não terá ocorrido. O investigador afirma ter sido informado no tribunal de que o adiamento estaria relacionado com a desistência do advogado de defesa, Carlos Cabaça.
Sakatindi sustenta ainda que a saída do advogado do processo estaria relacionada com uma alegada divergência ocorrida durante a audiência, depois de terem sido levantadas questões sobre a origem dos valores utilizados na aquisição de bilhetes para jovens recrutadas para prostituição.
Na versão apresentada pelo investigador, após a solicitação de informações bancárias, teriam sido identificadas transferências alegadamente efectuadas por Beatriz Franck para a conta de Umbelina Batalha. Esta, por sua vez, seria responsável pela aquisição dos bilhetes.
Estas afirmações são apresentadas por Sakatindi como resultado da sua investigação. Até ao momento, não foram apresentados publicamente, pelo Elite Post, elementos judiciais independentes que permitam confirmar todas as acusações formuladas contra Beatriz Franck.
O investigador afirma, contudo, possuir documentos bancários e outros elementos que, segundo ele, sustentariam a existência de uma rede de exploração de jovens e adolescentes, com idades entre os 15 e os 21 anos.
Sakatindi vai ainda mais longe e afirma ter reunido elementos que, segundo a sua investigação, apontariam para alegados casos de exploração sexual desde 2008, envolvendo supostamente políticos e empresários de Angola, República Democrática do Congo, Zâmbia, África do Sul e França.
Outra das acusações apresentadas pelo investigador é a de que jovens recrutadas receberiam, em Angola e em kwanzas, apenas uma parte dos valores que alegadamente produziriam em dólares.
Sakatindi afirma igualmente que Beatriz Franck ainda não terá sido constituída arguida no processo que envolve Umbelina Batalha e levanta suspeitas de que a empresária estaria a beneficiar de protecção indevida. Esta última afirmação, porém, também carece de confirmação por fontes judiciais independentes.
O próximo julgamento está anunciado para quarta-feira, 9 de Setembro, no Tribunal Dona Ana Joaquina. Sakatindi apelou aos cidadãos interessados em acompanhar o processo para que estejam presentes no tribunal e acompanhem directamente o desenrolar da audiência.
O caso surge depois de Beatriz Franck ter anunciado uma recompensa de três milhões de kwanzas para localizar o investigador, numa disputa que ganhou dimensão pública nas redes sociais e que poderá agora assumir também contornos judiciais.
O Elite Post continuará a acompanhar o processo e procurará ouvir as partes envolvidas, incluindo Beatriz Franck e a defesa de Umbelina Batalha, para garantir o contraditório e esclarecer as alegações apresentadas pelo investigador.
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Romão de Jesus
Redactor do Elite Post · 08 de Setembro de 2026
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