Ministério da Saúde abre inquérito para apurar amputação indevida de cidadão de 43 anos, responsáveis podem pegar cadeia e família quer indemnização
O caso de Jeconias Domingos André, de 43 anos, está a levantar sérias interrogações sobre os procedimentos clínicos adoptados durante o seu internamento no Hospital Josina Machel, em Luanda, uma das principais unidades públicas de referência do país.
Segundo informações recolhidas pelo Elite Post junto de familiares e fontes próximas do caso, Jeconias terá dado entrada naquela unidade hospitalar para receber tratamento a uma complicação antiga localizada na perna. No entanto, durante o período de internamento, a situação clínica terá evoluído de forma inesperada, culminando na amputação do seu braço direito.
As circunstâncias que terão conduzido à perda do membro ainda não estão totalmente esclarecidas e constituem precisamente um dos pontos que deverão ser analisados pelas autoridades competentes.
O Elite Post apurou, junto de fontes próximas do Ministério da Saúde, que já terá sido criada uma comissão de inquérito para investigar o caso, reconstruir a sequência dos acontecimentos e determinar se houve falhas nos procedimentos médicos, de enfermagem ou de acompanhamento do paciente.
A investigação deverá igualmente procurar determinar eventuais responsabilidades individuais ou institucionais. Segundo as mesmas fontes, caso sejam confirmadas irregularidades, os responsáveis poderão ser alvo de medidas disciplinares, incluindo a retirada da carteira profissional, sem prejuízo da eventual abertura de um processo-crime, caso os factos apurados apresentem indícios de responsabilidade criminal.
A dimensão do caso coloca em evidência questões particularmente sensíveis relacionadas com a segurança dos pacientes, o acompanhamento clínico e os mecanismos de responsabilização dentro das unidades hospitalares públicas.
Família exige reparação
O Elite Post procurou igualmente ouvir familiares de Jeconias Domingos André, que manifestam profunda preocupação com o sucedido e defendem que a família deve ser devidamente esclarecida sobre as circunstâncias que levaram à perda do braço direito.
Os familiares exigem ainda reparação pelos danos alegadamente sofridos e defendem uma indemnização por parte do Estado, caso a investigação venha a confirmar que houve responsabilidade dos profissionais ou da instituição hospitalar.
Para a família, a questão não se limita à perda do membro, mas envolve também as consequências físicas, psicológicas, sociais e económicas que a situação poderá representar para o paciente e para os seus dependentes.
Entretanto, o Ministério da Saúde deverá aguardar pelas conclusões da comissão de inquérito antes de determinar responsabilidades. Até ao momento, não estão publicamente esclarecidos todos os detalhes clínicos do caso, nomeadamente a evolução exacta do estado de saúde de Jeconias, as decisões médicas tomadas durante o internamento e as razões que terão conduzido à amputação.
O Elite Post continuará a acompanhar o caso e procurará ouvir igualmente a direcção do Hospital Josina Machel, os profissionais envolvidos e o Ministério da Saúde, assegurando o contraditório e permitindo que todas as partes apresentem a sua versão dos factos.
A investigação será determinante para responder à principal pergunta que permanece sem resposta: o que aconteceu, exactamente, durante o internamento de Jeconias Domingos André e poderia a perda do seu braço ter sido evitada?
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Romão de Jesus
Redactor do Elite Post · 11 de Setembro de 2026
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