A preparar-se para governar, ACJ apresenta plano para transformar as 21 províncias em motores económicos
O presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior, apresentou uma proposta de visão económica para Angola assente na valorização das especificidades de cada uma das 21 províncias, defendendo que o país deve deixar de concentrar a actividade económica em poucos centros e passar a explorar de forma integrada o potencial de cada região.
Numa publicação feita na sua página oficial do Facebook, sob o título “Alternativa | Mapa Económico de Angola”, o líder da UNITA resumiu a ideia com a expressão “21 províncias. 21 motores. Uma só economia”.
Segundo Adalberto Costa Júnior, a intenção não seria criar “21 economias isoladas”, mas estabelecer uma rede de “21 motores ligados entre si”, através da articulação entre vocação económica, cadeias de valor, infra-estruturas estratégicas, formação profissional, mercados e logística.
A proposta apresentada pelo dirigente partidário parte de uma mudança de perspectiva: em vez de perguntar apenas quais são os recursos existentes em cada província, o desafio seria determinar “o que podemos construir com aquilo que cada província tem”.
Na primeira parte do seu mapa económico, Adalberto Costa Júnior destaca quatro províncias: Cabinda, Zaire, Uíge e Bengo.
Para Cabinda, o dirigente da UNITA propõe uma transformação da actual imagem de território essencialmente petrolífero para uma “plataforma energética e azul”. Petróleo e gás, petroquímica, economia azul, pesca, logística e serviços especializados aparecem como sectores prioritários.
A ideia passa por utilizar os recursos petrolíferos e gasíferos como base para desenvolver actividades de maior valor acrescentado, incluindo petroquímica, serviços industriais, formação técnica e logística, ao mesmo tempo que se explora o potencial marítimo da província.
No Zaire, Adalberto Costa Júnior identifica uma “porta energética e logística do Norte”, apontando o petróleo e gás, agricultura, pesca, logística, economia azul e comércio como áreas de aposta.
A posição geográfica da província, particularmente a sua proximidade da foz do rio Congo, é apresentada como uma vantagem que poderia ser convertida em actividade económica através da combinação entre energia, logística, comércio e economia marítima.
Já para o Uíge, o líder da UNITA defende a construção de uma “capital do café e da agro-indústria tropical”.
O café surge como uma das principais apostas, acompanhado por culturas tropicais, agricultura, agro-indústria, mineração e florestas. A proposta procura ultrapassar o modelo de simples produção e comercialização de matérias-primas, defendendo que os produtos agrícolas sejam transformados localmente em alimentos, marcas e bens destinados ao mercado interno e à exportação.
“O Uíge não deve exportar apenas produtos agrícolas”, escreveu Adalberto Costa Júnior, defendendo a transformação da produção agrícola em indústria, emprego e capacidade exportadora.
Para o Bengo, a proposta é igualmente orientada para a integração regional. A província é apresentada como o “grande cinturão agroalimentar de Luanda”, explorando a sua proximidade com a capital do país.
Agricultura, pecuária, pesca, indústria alimentar, logística e turismo são apontados como sectores estratégicos. Na visão apresentada, o Bengo poderia assumir um papel relevante no abastecimento alimentar de Luanda, mas também na transformação dos produtos destinados ao maior mercado consumidor do país.
A publicação não apresenta ainda um programa económico detalhado com metas, custos, fontes de financiamento ou calendário de implementação. Trata-se, nesta fase, de uma visão territorial de desenvolvimento que procura definir uma vocação económica para cada província e integrá-las numa mesma cadeia produtiva nacional.
A proposta deverá ser aprofundada nas próximas publicações, uma vez que Adalberto Costa Júnior terminou esta primeira parte com a indicação “continua”, deixando em aberto a apresentação das restantes províncias.
O documento surge num contexto em que a diversificação económica, a redução da dependência petrolífera e a criação de emprego fora de Luanda continuam entre os principais desafios estruturais de Angola. A questão central, portanto, será saber como a visão dos “21 motores” poderá ser convertida em políticas públicas concretas, infra-estruturas, investimento privado e cadeias de produção capazes de ligar efectivamente as diferentes regiões do país.
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Romão de Jesus
Redactor do Elite Post · 12 de Setembro de 2026
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