Greve dos professores arranca hoje e expõe impasse entre Governo e SINPROF após fracasso nas negociações
A primeira fase da greve nacional dos professores em Angola arranca esta segunda-feira, 21 de Setembro de 2026, depois de fracassarem as últimas tentativas do Governo para travar a paralisação convocada pelo Sindicato Nacional dos Professores (SINPROF).
A paralisação, que começa às 7h00 e se prolonga até 15 de Outubro, deverá abranger o ensino geral, técnico-profissional, formação de professores e educação de adultos. O primeiro período corresponde a 19 dias úteis de greve.
O impasse surge na sequência de sucessivas rondas de negociação entre o Executivo e o SINPROF, sem que as partes tenham chegado a um entendimento sobre matérias consideradas centrais pelo sindicato. Entre as reivindicações está a realização de um concurso público interno de ingresso para a actualização da carreira dos docentes de 2017 e 2018, bem como a integração no Sistema Integrado de Gestão Financeira do Estado (SIGFE) dos professores admitidos.
O Governo, por seu lado, sustenta que cumpriu 11 pontos do caderno reivindicativo e considera que não existem razões para a paralisação. O secretário de Estado para o Trabalho e Segurança Social, Pedro Filipe, afirmou no domingo que o Executivo continua aberto ao diálogo e que não vê necessidade de avançar com a greve.
Apesar da posição do Governo, a tentativa de encontrar uma solução de última hora não produziu o efeito esperado. Uma reunião que estava prevista para sábado, 19 de Setembro, não chegou a realizar-se, e o SINPROF confirmou que a paralisação avançaria conforme aprovado nas assembleias realizadas a 12 de Setembro.
A nova ministra da Educação, Erika Aires, também procurou abrir uma frente de diálogo com a estrutura sindical. No início de Setembro, convocou dirigentes do SINPROF para um encontro de auscultação, numa altura em que já estava anunciada a greve. O encontro realizado a 9 de Setembro terminou, porém, sem avanços suficientes para afastar a paralisação.
O fracasso das negociações coloca, assim, à prova a capacidade da nova titular da Educação para gerir um dos primeiros grandes conflitos laborais do sector desde que assumiu funções. A manutenção da greve demonstra que, apesar das iniciativas de diálogo, Governo e sindicato continuam separados quanto ao cumprimento do acordo assinado em 8 de Janeiro de 2026 e à resolução de reivindicações consideradas prioritárias pelo SINPROF.
A paralisação não deverá, contudo, encerrar imediatamente a porta ao diálogo. O sindicato afirma estar disponível para retomar as negociações mesmo durante o período de greve, caso o Executivo demonstre abertura para encontrar soluções para as reivindicações apresentadas.
A greve foi estruturada em quatro fases ao longo do ano lectivo. Depois da primeira etapa, prevista de 21 de Setembro a 15 de Outubro, estão previstas novas paralisações em Dezembro de 2026, Fevereiro de 2027 e Maio/Junho de 2027. O calendário divulgado pelo SINPROF prevê 15 dias entre 2 e 18 de Dezembro, 13 dias entre 10 e 26 de Fevereiro e 25 dias entre 17 de Maio e 18 de Junho de 2027.
Com o início da greve, o sistema de ensino público angolano entra numa nova fase de tensão entre a classe docente e o Executivo, enquanto permanecem em aberto as negociações destinadas a evitar novas paralisações.
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Romão de Jesus
Redactor do Elite Post · 21 de Setembro de 2026
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