Persiste o drama de crianças angolanas que atravessam fronteira e chegam às ruas da Namíbia para pedirem esmolas
A presença de crianças angolanas nas ruas de cidades da Namíbia está a preocupar as autoridades daquele país, que alertam para um movimento crescente de menores provenientes do sul de Angola, alguns com apenas sete anos de idade.
Segundo informações divulgadas pelo jornal The Namibian, crianças oriundas de comunidades como Gambue e Mwila estarão a atravessar a fronteira e a seguir, em alguns casos durante a noite, para centros urbanos namibianos, incluindo Windhoek, onde acabam por ser encontradas a pedir esmola nas ruas.
Perante o fenómeno, a Polícia namibiana decidiu chamar a atenção das empresas de transporte e dos motoristas que operam rotas de longo curso entre Angola e a Namíbia. As autoridades pretendem impedir que menores sem documentação sejam transportados para os principais centros urbanos do país.
O comandante da Polícia na região de Oshana, comissário Andreas Shilelo, confirmou a existência de informações sobre a deslocação de crianças provenientes do sul de Angola e apelou aos operadores para que estejam atentos à presença de menores desacompanhados nos seus autocarros.
A situação, contudo, está longe de ser consensual entre as autoridades e os operadores de transporte. Embora reconheçam que existem crianças angolanas a chegar às cidades namibianas, algumas empresas e motoristas rejeitam a ideia de serem responsabilizados directamente pela entrada dos menores no país.
O alerta coloca novamente em evidência a vulnerabilidade de crianças que atravessam uma fronteira internacional sem acompanhamento adequado e acabam expostas a situações de mendicidade e outros riscos nos centros urbanos.
A Polícia namibiana pretende, por isso, reforçar a vigilância sobre o transporte de menores e impedir que a rede de deslocação nocturna continue a facilitar a chegada de crianças às cidades.
O fenómeno envolve comunidades do sul de Angola e cidades namibianas, tornando necessária uma resposta que ultrapasse o controlo fronteiriço e envolva também as autoridades angolanas, as famílias, os operadores de transporte e os organismos de protecção da criança.
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Romão de Jesus
Redactor do Elite Post · 23 de Setembro de 2026
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