“Estamos hoje a viver a maior quantidade de conflitos da história da humanidade” - Lula da Silva
Lula questiona escalada das guerras: “Onde é que nós vamos parar?”
O Presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, alertou para o agravamento dos conflitos armados no mundo e questionou a prioridade dada pelos governos aos gastos militares, numa entrevista concedida à jornalista Christiane Amanpour, da CNN, à margem da Assembleia Geral das Nações Unidas.
“Estamos hoje a viver a maior quantidade de conflitos da história da humanidade depois da Segunda Guerra Mundial”, afirmou Lula, defendendo que os recursos utilizados em guerras deveriam ser canalizados para áreas como alimentação, saúde e educação.
“Nós precisamos de dinheiro para comida, saúde, educação e estamos a gastar trilhões de dólares em guerras. Onde é que nós vamos parar? Quando é que a humanidade vai ter paz?”, questionou.
A declaração surge num contexto internacional marcado pelo aumento do número de conflitos e pelo crescimento dos investimentos militares. Dados do Programa de Dados sobre Conflitos de Uppsala (UCDP), divulgados em 2026, apontam que 2025 terminou com 65 conflitos armados, o maior número registado desde 1946. O levantamento mostra ainda que os conflitos entre Estados chegaram a oito, igualmente o nível mais elevado desde o início da série histórica. (OUP Academic)
Trilhões destinados à área militar
Os números do Instituto Internacional de Investigação para a Paz de Estocolmo (SIPRI) ajudam a dimensionar a preocupação manifestada pelo Presidente brasileiro.
Em 2024, os gastos militares mundiais atingiram cerca de 2,718 biliões de dólares, o valor mais elevado já registado pelo SIPRI. O montante representou um aumento de 9,4% num único ano e de 37% em relação a 2015. (SIPRI)
O SIPRI estima que o mundo tenha destinado, em 2024, o equivalente a 2,5% do Produto Interno Bruto global para despesas militares. O gasto médio por habitante chegou a 334 dólares, o nível mais elevado desde 1990. (SIPRI)
A Europa registou uma das maiores acelerações: as despesas militares da região cresceram 17% em 2024, enquanto os gastos militares europeus aumentaram 83% entre 2015 e 2024. (SIPRI)
Mais conflitos, mais deslocados
A expansão dos conflitos também tem consequências humanitárias. Segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), 117,8 milhões de pessoas encontravam-se deslocadas à força no final de 2025 devido a perseguições, conflitos, violência, violações dos direitos humanos ou situações de grave perturbação da ordem pública. (ACNUR)
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Romão de Jesus
Redactor do Elite Post · 23 de Setembro de 2026
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