“Contabilistas e auditores que saem da Faculdade e vão para a AGT, não contam. Têm a teoria, mas não têm a prática”, - Cristina Silvestre.
A nova bastonária da Ordem dos Contabilistas e Peritos Contabilistas de Angola (OCPCA), Cristina Silvestre, considera insuficiente a preparação de alguns contabilistas e auditores que, depois de concluírem a formação universitária, ingressam directamente na Administração Geral Tributária (AGT), sem uma experiência prática consolidada.
Em entrevista ao Jornal Expansão, a responsável defendeu que o conhecimento adquirido nas universidades, embora importante, não substitui a experiência necessária para interpretar e aplicar correctamente as normas contabilísticas e fiscais no contexto concreto das empresas.
“Contabilistas e auditores que saem da Faculdade e vão para a AGT, não contam. Têm a teoria, mas não têm a prática”, afirmou Cristina Silvestre.
Segundo a bastonária, a insuficiente experiência prática de alguns técnicos pode reflectir-se na forma como são analisados os processos das empresas e interpretadas as suas obrigações fiscais. Cristina Silvestre sustenta que existem situações em que técnicos acabam por estabelecer entendimentos ou determinar impostos sem o domínio necessário das particularidades da actividade empresarial.
Na entrevista, a responsável apontou que este défice de experiência pode resultar, em determinadas situações, numa tributação superior àquela que efectivamente seria devida, por aquilo que considera ser desconhecimento técnico e não necessariamente por uma actuação deliberada.
A posição da nova bastonária surge num contexto em que a relação entre a administração tributária, contabilistas e empresas continua a exigir maior rigor técnico, sobretudo perante a crescente complexidade das obrigações fiscais e contabilísticas.
Para Cristina Silvestre, a formação académica deve ser complementada pela experiência profissional e por uma preparação contínua, particularmente para os técnicos que desempenham funções relacionadas com fiscalização, análise contabilística e determinação das obrigações fiscais das empresas.
As declarações colocam também em debate a necessidade de reforçar a articulação entre a OCPCA e a AGT, de modo a promover maior uniformização na interpretação das normas, reduzir conflitos entre os contribuintes e a administração fiscal e assegurar maior previsibilidade no tratamento dos processos empresariais.
A crítica da bastonária não significa, contudo, que todos os técnicos da AGT tenham a mesma limitação. O ponto central das suas declarações é a diferença entre conhecimento académico e experiência prática, sobretudo quando profissionais recém-formados passam a exercer funções que exigem capacidade de interpretar situações concretas e complexas do universo empresarial.
A intervenção de Cristina Silvestre abre, assim, um debate sobre a preparação dos profissionais que actuam no sistema tributário angolano e sobre a importância de combinar formação académica, experiência de campo e actualização permanente das competências técnicas.
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Romão de Jesus
Redactor do Elite Post · 24 de Setembro de 2026
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