Intolerância política no Uíge: UNITA prepara pronunciamento público para expor “atrocidades” vividas na terra do ‘bago vermelho’
O ambiente político no Uíge continua marcado pela tensão, depois dos incidentes registados nas últimas horas durante actividades políticas, num cenário que a UNITA considera revelador de um preocupante nível de intolerância política.
O Elite Post sabe, de fonte segura, que a direcção da UNITA está neste momento a preparar um pronunciamento público para fazer o balanço dos acontecimentos e apresentar a sua versão sobre o que ocorreu na província.
Segundo informações em posse do Elite Post, o partido deverá denunciar aquilo que considera terem sido actos de intolerância, violência e outras ocorrências que terão marcado a jornada política no Uíge, incluindo episódios envolvendo militantes, dirigentes e forças de segurança.
A preparação do pronunciamento ocorre depois de a UNITA ter denunciado alegadas restrições à realização das suas actividades políticas na província. O partido sustenta que a situação atingiu níveis preocupantes e deverá apresentar, no pronunciamento, um relato detalhado dos acontecimentos e das consequências dos incidentes.
O líder da UNITA, Adalberto Costa Júnior, já reagiu publicamente ao ambiente vivido no Uíge, tendo classificado a situação como um cenário de extrema tensão e decidido adiar a actividade política que estava prevista para a província.
A tensão não terá afectado apenas os dirigentes e militantes partidários. Profissionais da comunicação social que acompanham os acontecimentos também demonstram preocupação com a sua segurança.
Entre os casos que suscitam atenção está o do jornalista do Club K, Gonçalves Vieira, que, segundo informações transmitidas ao Elite Post, estará hospedado num hotel desde sexta-feira, alegadamente por razões de segurança. O jornalista terá mantido a carteira profissional pendurada ao pescoço, numa medida preventiva para facilitar a sua identificação como profissional da imprensa em caso de uma eventual invasão ou abordagem.
O Elite Post não conseguiu, até ao momento, confirmar de forma independente todos os detalhes relacionados com esta situação, mas o relato ilustra o clima de apreensão entre jornalistas que se encontram no terreno.
A direcção da UNITA deverá, segundo a informação em posse deste jornal, denunciar no seu pronunciamento aquilo que classifica como “atrocidades” ocorridas no Uíge e exigir esclarecimentos sobre a actuação das forças envolvidas nos episódios.
A expectativa em torno da comunicação cresce, uma vez que o pronunciamento poderá apresentar novos elementos sobre os acontecimentos e estabelecer responsabilidades políticas e institucionais na perspectiva da UNITA.
O caso coloca novamente no centro do debate nacional a questão da tolerância política, do direito de manifestação e reunião e das condições de segurança para o exercício da actividade jornalística em Angola.
Enquanto se aguarda a comunicação oficial da UNITA, o Elite Post continuará a acompanhar os acontecimentos no Uíge e a confrontar as diferentes versões, procurando assegurar que as acusações apresentadas pelas partes sejam devidamente distinguidas dos factos confirmados.
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Romão de Jesus
Redactor do Elite Post · 10 de Agosto de 2026
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