Sede do INE degrada-se em 12 anos e João Lourenço autoriza 12,1 mil milhões Kz para a salvar
A sede do Instituto Nacional de Estatística (INE), inaugurada em 2014 como uma infra-estrutura moderna e de referência, precisa agora de uma nova injecção de dinheiro público para ser reabilitada.
O Presidente da República, João Lourenço, autorizou 12,1 mil milhões de kwanzas para a intervenção, mais do dobro dos 5,6 mil milhões de kwanzas que o Estado gastou na construção do edifício há apenas 12 anos.
A pergunta que fica é inevitável: como é que uma infra-estrutura pública apresentada como moderna e multifuncional chega a um ponto de “degradação” considerado suficientemente grave para justificar uma nova empreitada de milhares de milhões de kwanzas pouco mais de uma década depois?
O despacho presidencial, citado pelo Valor Económico, enquadra a intervenção no programa de conservação e manutenção de edifícios públicos previsto no Plano de Desenvolvimento Nacional 2023-2027. A justificação oficial é assegurar a segurança, a funcionalidade das instalações e a continuidade dos serviços prestados pelo INE.
Mas o número chama mais atenção do que a própria justificação.
Em 2014, foram gastos 5,6 mil milhões de kwanzas para erguer o edifício. Agora, 12 anos depois, são autorizados 12,1 mil milhões para o reabilitar. Em termos nominais, o Estado prepara-se para gastar numa reabilitação mais do dobro do que custou a construção original.
É verdade que o kwanza sofreu uma forte desvalorização desde 2014 e que os preços da construção civil também acompanharam a evolução cambial. Mas a dimensão da verba reacende uma questão recorrente na gestão do património público: quanto tempo devem durar, afinal, as grandes obras do Estado antes de voltarem a consumir milhares de milhões do erário?
Outro ponto que promete alimentar a polémica é a modalidade escolhida para a contratação.
A empreitada será realizada por ajuste directo. O despacho, contudo, não identifica a empresa que ficará responsável pela reabilitação do edifício.
O Ministro do Planeamento terá a responsabilidade de aprovar as peças do procedimento, verificar a validade e legalidade dos actos praticados e acompanhar a celebração e assinatura do contrato.
A ausência, no despacho divulgado, da identificação da futura executora não significa, por si só, qualquer irregularidade. Mas, num país onde a execução de obras públicas e os critérios de contratação são frequentemente alvo de escrutínio, a decisão dificilmente passará despercebida.
O caso do INE coloca, assim, uma questão que ultrapassa a simples necessidade de reparar um edifício: quem fiscalizou a qualidade da obra original, como foi feita a manutenção ao longo destes 12 anos e por que razão uma infra-estrutura relativamente recente necessita agora de uma intervenção avaliada em 12,1 mil milhões de kwanzas?
Enquanto o Estado prepara mais uma despesa bilionária, estas são perguntas que os contribuintes têm razões para querer ver respondidas.
Partilhar esta notícia
Romão de Jesus
Redactor do Elite Post · 17 de Agosto de 2026
Como se sente sobre esta notícia?
Comentários (0)
Seja o primeiro a comentar esta notícia.