“Eles vão matar uns tantos, mas não vão matar a todos”: Nelito Ekuikui admite confronto nas ruas para forçar alternância em 2027
O dirigente juvenil da UNITA e deputado à Assembleia Nacional, Nelito Ekuikui, elevou o tom do discurso político ao defender uma mobilização popular de grandes dimensões nas ruas como eventual instrumento para forçar a alternância do poder em Angola nas eleições gerais de 2027.
Em entrevista à Rádio Essencial, o político afirmou que, perante aquilo que considera serem manobras destinadas a condicionar o próximo processo eleitoral, os cidadãos não deveriam recuar perante uma eventual repressão.
“Se nós colocarmos 500 mil pessoas nas ruas, eles vão matar uns tantos, mas não vão matar a todos. As pessoas não têm que fugir”, declarou.
A afirmação coloca a mobilização popular no centro da estratégia política defendida pelo jovem dirigente da UNITA, que considera insuficiente esperar apenas pelo resultado das urnas para produzir uma mudança de poder.
Segundo Nelito Ekuikui, a alegada criação de condições para a manipulação dos resultados eleitorais poderá tornar inevitável uma forte reacção popular, apontando aquilo que classificou como uma “revolução popular” como a única via capaz de garantir a alternância em 2027.
O discurso surge num momento em que a preparação para as próximas eleições começa a ganhar maior peso no debate político nacional, com os principais partidos da oposição a aumentarem a pressão sobre as instituições responsáveis pela organização e fiscalização do processo eleitoral.
Ao falar abertamente numa mobilização de meio milhão de pessoas e ao admitir a possibilidade de mortes durante manifestações, Ekuikui lança uma das declarações mais contundentes do actual ambiente pré-eleitoral. A mensagem, além de desafiar directamente o poder político, levanta também uma questão particularmente sensível: até onde deverá ir a contestação popular caso os resultados eleitorais sejam considerados fraudulentos pela oposição?
Para o dirigente juvenil da UNITA, a resposta parece estar nas ruas.
A declaração promete reacender o debate sobre manifestações, resistência popular, segurança e limites da contestação política num país que se prepara para um novo ciclo eleitoral. E, ao colocar 500 mil pessoas como referência, Nelito Ekuikui não está apenas a falar de protesto: está a desenhar um cenário de pressão popular de dimensões capazes de testar a resposta do próprio Estado.
A grande incógnita, agora, é saber se a declaração representa apenas uma posição política de confronto ou se traduz uma estratégia concreta da UNITA para 2027.
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Romão de Jesus
Redactor do Elite Post · 17 de Agosto de 2026
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