Adalberto Costa Júnior defende pluralidade democrática e contraria discurso de dirigentes da UNITA que chamam outros partidos de “sucursais do regime”
O presidente da UNITA, Adalberto Costa Júnior, voltou a defender a pluralidade política como elemento essencial para o fortalecimento da democracia angolana. Numa publicação feita esta segunda-feira, 24 de Agosto, na sua página oficial do Facebook, o líder da UNITA escreveu: “O rio não deixa de ser rio porque recebe águas de diferentes nascentes. Pelo contrário, torna-se maior. Assim deve ser a nossa democracia.” A declaração é interpretada como uma defesa da entrada de novas forças políticas no espaço democrático angolano, numa altura em que o país se prepara para um novo ciclo eleitoral e em que vários partidos procuram afirmar-se como alternativas ao MPLA e à UNITA. A posição de Adalberto Costa Júnior contrasta, pelo menos no discurso, com declarações anteriormente atribuídas a figuras da própria UNITA, entre as quais os deputados Nelito Ekuikui e Lourenço Lumingo, que têm questionado a autonomia de alguns dos novos partidos políticos, chegando a classificá-los como “sucursais” ou como forças que estariam a actuar sob orientação do regime. A mensagem do presidente da UNITA surge também num contexto em que o partido tem defendido maior abertura e tolerância no espaço político nacional. Em Junho, Adalberto Costa Júnior apelou ao respeito pelas diferenças e sustentou que uma democracia madura deve assentar no diálogo, na inclusão e no reconhecimento da legitimidade das diferentes opiniões políticas. A metáfora do rio reforça, assim, a ideia de que a multiplicação de partidos e correntes políticas não deve necessariamente ser vista como uma ameaça às forças políticas tradicionais, mas como um factor que pode ampliar a participação e a representação dos cidadãos. A questão ganha particular relevância perante as eleições gerais de 2027, num cenário marcado pelo surgimento de novas formações políticas e pela disputa pelo espaço da oposição. Embora a posição de Adalberto Costa Júnior aponte para uma perspectiva mais inclusiva, permanecem no debate político angolano divergências dentro da própria oposição sobre a origem, independência e credibilidade de algumas das novas forças políticas. Para o líder da UNITA, contudo, a democracia parece beneficiar mais da concorrência de ideias e projectos do que da exclusão daqueles que procuram entrar no espaço político. “Assim deve ser a nossa democracia”, concluiu.
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Romão de Jesus
Redactor do Elite Post · 24 de Agosto de 2026
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