Detidos os alegados autores do assalto ao BAI do Rangel: cabecilha estava escondido na casa de um agente da Polícia Nacional
O Serviço de Investigação Criminal (SIC) anunciou esta sexta-feira a detenção de quatro cidadãos apontados como os principais responsáveis pelo violento assalto ao balcão do Banco BAI, no município do Rangel, crime que culminou com a morte de um cidadão e o roubo de 8,83 milhões de kwanzas.
Entre os detidos está Edson Euclides Simão de Andrade, conhecido por Bebucho ou Tio Bolo, identificado como o alegado mentor da operação criminosa. Segundo o SIC, trata-se de um indivíduo com um extenso historial criminal, acumulando processos por associação criminosa, roubos qualificados, posse ilegal de armas, furto e uso de identidade falsa.
Um dos aspectos que mais chama a atenção neste caso é o facto de o presumível cabecilha ter sido localizado e detido na residência de Filipe David Murima, agente da Polícia Nacional, que, de acordo com a investigação, lhe terá dado abrigo para escapar às autoridades. O agente foi igualmente detido e é apontado como cúmplice da acção.
Durante a operação, o SIC apreendeu duas pistolas, munições, duas motorizadas utilizadas no assalto, as roupas usadas pelos suspeitos no dia do crime e um televisor adquirido, alegadamente, com parte do dinheiro roubado. As autoridades conseguiram ainda recuperar 690 mil kwanzas, uma pequena parte dos 8,83 milhões de kwanzas subtraídos.
As investigações permitiram também localizar o ponto, no município do Cazenga, onde os suspeitos terão queimado as pastas utilizadas para transportar o dinheiro, numa tentativa de eliminar provas.
O caso volta a levantar sérias questões sobre o sistema de justiça criminal em Angola. O alegado líder do grupo havia sido colocado em liberdade em Junho de 2025, mediante Termo de Identidade e Residência (TIR), apesar de responder por um processo de roubo qualificado relacionado com um assalto de 30 milhões de kwanzas na província de Benguela.
Os quatro detidos serão presentes ao Ministério Público, enquanto o SIC garante que continuam as diligências para capturar os restantes elementos da quadrilha, que permanecem em fuga.
Este caso reforça a preocupação com a reincidência criminal e a infiltração de agentes do Estado em redes criminosas, factores que continuam a alimentar o sentimento de insegurança entre os cidadãos e a colocar em causa a confiança nas instituições responsáveis pela segurança pública.
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Romão de Jesus
Redactor do Elite Post · 10 de Julho de 2026
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