Moçambique: ANAMOLA reúne 400 delegados em Nampula para primeira convenção e define futuro político de Venâncio Mondlane
A Aliança Nacional por um Moçambique Livre e Autónomo (ANAMOLA) inicia hoje, na cidade de Nampula, a sua primeira Convenção Nacional, um encontro considerado decisivo para a estruturação interna do partido fundado em agosto por Venâncio Mondlane e que deverá marcar a sua consolidação no cenário político moçambicano.
O evento, que decorre ao longo de três dias, reúne cerca de 400 delegados com direito a voto e aproximadamente 50 convidados nacionais e estrangeiros, num momento que combina abertura pública, debates internos e eleições partidárias.
Segundo o assessor de imprensa do partido, Abdul Nariz, o arranque da convenção será marcado por uma marcha pública em Nampula, numa tentativa de mobilização popular e afirmação política da nova formação.
“Será um programa aberto ao público, será uma marcha aberta ao público”, afirmou o responsável à Lusa, sublinhando o carácter simbólico do primeiro dia do encontro.
Após a abertura pública, os trabalhos passam a ter uma natureza progressivamente mais restrita. No domingo, a convenção entra num formato híbrido, com presença de imprensa apenas na fase inicial, antes de avançar para sessões fechadas e sem transmissão em direto.
Já na segunda-feira, as atividades tornam-se totalmente reservadas aos delegados, com foco na apreciação de resoluções internas, definição de orientações estratégicas e na eleição da nova liderança do partido.
Venâncio Mondlane surge como candidato único à presidência da ANAMOLA, num processo que deverá também escolher os membros do Conselho Nacional, da Comissão Executiva e ratificar as lideranças dos órgãos de jurisdição, fiscalização e ética partidária.
A convenção acontece sob um ambiente marcado por tensão. A organização não-governamental moçambicana Plataforma Decide reportou quatro feridos na chegada de Venâncio Mondlane a Nampula, num episódio em que forças policiais terão recorrido ao uso de gás lacrimogéneo para dispersar apoiantes que acompanhavam o político.
O incidente acrescenta um contexto de sensibilidade política ao evento, que já é visto como um teste à capacidade de mobilização e organização do novo partido.
Para além da eleição interna, a convenção é interpretada como um momento de afirmação pública da ANAMOLA, que procura estruturar-se num cenário político ainda dominado por forças tradicionais.
A realização de uma marcha pública e a transmissão parcial dos trabalhos nas redes sociais indicam uma aposta clara na comunicação direta com os cidadãos e na construção de uma base de apoio fora dos canais institucionais tradicionais.
O encontro acontece num contexto de debate sobre o futuro político de Venâncio Mondlane, que após as eleições gerais de 2024 passou a ser uma das figuras mais mediáticas da oposição em Moçambique.
Em outubro, Mondlane afirmou que o país vive uma “situação calamitosa” e admitiu a possibilidade de voltar a disputar eleições presidenciais em 2029, caso essa seja a decisão da ANAMOLA.
O calendário político moçambicano prevê ainda eleições autárquicas em 2028 e eleições gerais em 2029, cenários que poderão testar a capacidade de consolidação do novo partido e o peso político do seu líder.
Com a convenção de Nampula, a ANAMOLA procura transformar mobilização em estrutura e discurso em organização, num momento em que o partido tenta deixar de ser apenas um projeto emergente para se afirmar como força política no terreno.
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Romão de Jesus
Redactor do Elite Post · 20 de Junho de 2026
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