Xenofobia volta a expulsar moçambicanos da África do Sul: número de repatriados ultrapassa os 700
A onda de ataques xenófobos na África do Sul continua a empurrar centenas de cidadãos moçambicanos para fora do país vizinho, obrigando o Governo de Moçambique a intensificar as operações de repatriamento.
As autoridades moçambicanas anunciaram este sábado o regresso de mais 169 cidadãos que se encontravam acolhidos em centros temporários nas localidades sul-africanas de Mossel Bay e Hermanus, depois de terem sido afectados por manifestações anti-imigração.
Com esta nova operação, o número de moçambicanos repatriados desde o início da crise sobe para 714, somando-se aos 545 cidadãos que regressaram ao país no início da semana. Segundo informações divulgadas pelo Governo moçambicano, os repatriados deverão chegar ao posto fronteiriço de Ressano Garcia este domingo, estando garantidas as condições logísticas necessárias para o transporte e assistência durante a viagem.
A situação continua, contudo, a preocupar as autoridades de Maputo. Dados partilhados pelas autoridades da Província do Cabo Ocidental apontam para a possibilidade de novas manifestações contra estrangeiros nas próximas semanas, aumentando o receio de uma escalada da violência.
A tensão agravou-se depois de grupos de manifestantes terem exigido que todos os estrangeiros abandonem a província de KwaZulu-Natal até ao próximo dia 30 de Junho. De acordo com informações avançadas anteriormente pelo Governo moçambicano, mais de 800 cidadãos daquele país foram afectados por actos de xenofobia registados a 29 de Maio em Mossel Bay.
Os incidentes terão provocado pelo menos nove mortes entre cidadãos moçambicanos. A África do Sul tem sido frequentemente confrontada com episódios de violência xenófoba dirigidos contra cidadãos oriundos de outros países africanos. Nos últimos anos, vários governos da região foram obrigados a repatriar nacionais devido à insegurança gerada por estes ataques.
Moçambique é um dos países mais afectados pela situação, contando com uma comunidade estimada em cerca de 300 mil cidadãos residentes em território sul-africano. Segundo a Presidência moçambicana, milhares de pessoas já terão regressado ao país por receio da violência.
Enquanto as autoridades acompanham a evolução dos acontecimentos, cresce a preocupação em torno da segurança dos imigrantes africanos na maior economia do continente, onde o desemprego, a desigualdade social e as tensões económicas continuam a alimentar sentimentos de hostilidade contra cidadãos estrangeiros.
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Romão de Jesus
Redactor do Elite Post · 07 de Junho de 2026
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