Pedro de Neri exonerado após 14 anos na liderança do secretariado-geral da Assembleia Nacional
O presidente da Assembleia Nacional, Adão Francisco Correia de Almeida, acaba de protagonizar um dos movimentos políticos mais simbólicos desde que assumiu a liderança do Parlamento: a saída de Pedro de Neri do cargo de secretário-geral, função que ocupava há cerca de 14 anos e que o transformou numa das figuras mais influentes da engrenagem administrativa parlamentar.
O presidente da Assembleia Nacional, Adão Francisco Correia de Almeida, acaba de protagonizar um dos movimentos políticos mais simbólicos desde que assumiu a liderança do Parlamento: a saída de Pedro de Neri do cargo de secretário-geral, função que ocupava há cerca de 14 anos e que o transformou numa das figuras mais influentes da engrenagem administrativa parlamentar.
A exoneração foi oficializada através do Despacho n.º 0096/03/PAN/2026, de 12 de Junho, que nomeia Manuel António Freire como novo secretário-geral da Assembleia Nacional, em comissão de serviço.
Mais do que uma simples troca administrativa, a decisão está a ser lida em meios políticos como um sinal claro de ruptura com o anterior ciclo de poder interno da Assembleia Nacional.
Ao longo da última legislatura, Pedro de Neri passou a ser frequentemente apontado em círculos políticos e parlamentares como um dos homens de maior confiança e influência junto da então presidente da Assembleia Nacional, Carolina Cerqueira, concentrando peso significativo na condução administrativa do órgão.
A sua permanência atravessou diferentes momentos políticos, incluindo duas eleições legislativas em que chegou a ser eleito deputado, mas suspendeu os mandatos para continuar à frente da administração parlamentar.
Nos bastidores parlamentares, o antigo secretário-geral também vinha sendo associado a críticas sobre o funcionamento interno do órgão, incluindo alegações de excessiva burocratização de processos administrativos e financeiros que, segundo críticos, condicionavam a dinâmica e mobilidade de deputados.
Circularam igualmente acusações públicas sobre alegados desvios de fundos, embora não exista, até ao momento, informação pública sobre condenação judicial relacionada com essas alegações.
Agora, com a entrada de Manuel António Freire — jurista com formação em contratação pública, governação e finanças — o novo presidente da Assembleia Nacional parece enviar uma mensagem política clara: o ciclo anterior terminou.
A saída de Pedro de Neri representa não apenas a substituição de um gestor administrativo, mas a queda de uma das figuras que durante anos simbolizou continuidade, influência e capacidade de sobrevivência dentro do aparelho parlamentar angolano.
A questão que fica é se esta mudança marcará apenas uma renovação de rostos ou o início de uma transformação mais profunda na forma como o Parlamento é gerido.
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Romão de Jesus
Redactor do Elite Post · 12 de Junho de 2026
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