Painel de Administração

Newsletter

Receba Notícias

Fique sempre informado sobre os últimos acontecimentos em Angola e no mundo.

Subscreva a Newsletter

Receba as principais notícias directamente no seu e-mail, gratuitamente.

Sexta-feira, 12 de Junho de 2026
Banner Unitel Publicidade
Últimas Notícias
Escassez de combustível registada em todo o país estará ligada a burocracia na Sonangol, avança Valor Económico Carlos Feijó admite falhas no novo Código do Contencioso Administrativo e pede correcções Ex-administrador do Calumbo diz ter sido exonerado “por ter ido a um casamento sem avisar Auxílio Jacob Pedro de Neri exonerado após 14 anos na liderança do secretariado-geral da Assembleia Nacional Escassez de combustível registada em todo o país estará ligada a burocracia na Sonangol, avança Valor Económico Carlos Feijó admite falhas no novo Código do Contencioso Administrativo e pede correcções Ex-administrador do Calumbo diz ter sido exonerado “por ter ido a um casamento sem avisar Auxílio Jacob Pedro de Neri exonerado após 14 anos na liderança do secretariado-geral da Assembleia Nacional
Início Política Carlos Feijó admite falhas no novo Código do Cont…
Política

Carlos Feijó admite falhas no novo Código do Contencioso Administrativo e pede correcções

Romão de Jesus 12 de Junho de 2026 4 min de leitura (estimado)
Carlos Feijó admite falhas no novo Código do Contencioso Administrativo e pede correcções
Carlos Feijó admite falhas no novo Código do Contencioso Administrativo e pede correcções

O professor catedrático da Faculdade de Direito da Universidade Agostinho Neto, Carlos Feijó, considerou que o novo Código de Processo do Contencioso Administrativo, aprovado em Abril de 2022, continua a apresentar várias insuficiências técnicas e dificuldades de interpretação que exigem reflexão académica e ajustamentos futuros.

As declarações foram feitas durante uma aula magna realizada na Faculdade de Direito da Universidade Agostinho Neto, subordinada ao tema “Dois olhares sobre contencioso administrativo contemporâneo”, ocasião em que o jurista assumiu uma posição crítica em relação ao próprio diploma.

Carlos Feijó classificou a sua intervenção como um exercício de autocrítica e reconheceu que o Código “tem as suas insuficiências e oscilações terminológicas”, defendendo a necessidade de aprofundar a discussão jurídica sobre a sua aplicação prática.

Entre os principais pontos levantados, o académico destacou problemas relacionados com os conceitos de representação e patrocínio judiciário, questão que, segundo explicou, tem originado interpretações segundo as quais apenas o Ministério Público teria legitimidade constitucional para representar o Estado.

Para o jurista, essa leitura não decorre apenas do texto legal, mas resulta igualmente de dificuldades na articulação entre os diferentes modelos processuais e as competências atribuídas às instituições públicas.

Feijó chamou ainda atenção para questões ligadas ao despacho saneador e ao recurso subsidiário ao Código de Processo Civil, advertindo que a importação automática de soluções do processo civil pode gerar incompatibilidades com os princípios estruturantes do contencioso administrativo.

“O próprio diploma que aprova o Código estabelece que a aplicação subsidiária só ocorre nos casos que não estejam regulados ou não possam ser resolvidos por analogia”, observou.

Neste contexto, o professor defendeu a criação de uma agenda dogmática para o futuro do contencioso administrativo em Angola, capaz de responder às lacunas existentes e consolidar uma interpretação mais consistente do regime.

Segundo explicou, essa agenda deve permitir a construção de uma teoria geral angolana do contencioso administrativo, evitando uma dependência excessiva de modelos estrangeiros.

Para Carlos Feijó, embora a experiência comparada tenha utilidade, Angola precisa desenvolver uma abordagem própria, adaptada à sua realidade constitucional e às exigências concretas do funcionamento do sistema jurisdicional nacional.

O académico defendeu que o país deve abandonar uma simples reprodução de soluções externas — particularmente portuguesas — e avançar para uma doutrina nacional que dialogue criticamente com essas referências, mas que esteja ancorada nas necessidades institucionais angolanas.

No plano judicial, sustentou igualmente a necessidade de uma jurisprudência constitutiva, capaz de interpretar o Código de forma evolutiva e enfrentar as imperfeições do texto legal através de soluções coerentes com os princípios contemporâneos do direito administrativo.

Entre os aspectos que considera merecer revisão legislativa, apontou a necessidade de corrigir remissões imperfeitas existentes no artigo 64.º, promover maior compatibilização com a Lei da Procuradoria-Geral da República e clarificar juridicamente a distinção entre representação e patrocínio judiciário.

Além das alterações normativas, Carlos Feijó defendeu o reforço da formação especializada de juízes, advogados, representantes do Estado e juristas da administração pública.

O professor apelou ainda ao incentivo da investigação académica através de estudos jurisprudenciais, produção de monografias e elaboração de comentários especializados ao Código, como forma de fortalecer o desenvolvimento do direito administrativo angolano e melhorar a aplicação prática do diploma.

Partilhar esta notícia
R
Romão de Jesus

Redactor do Elite Post  ·  12 de Junho de 2026

19 visualizações 0 comentários
Como se sente sobre esta notícia?
Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar esta notícia.

Deixe o seu comentário

Os comentários são moderados antes de serem publicados.