UNITA consegue acesso a Washington com lobby de 16 mil dólares enquanto Estado angolano gastou 40 vezes mais em influência nos EUA
A UNITA contratou uma empresa norte-americana para facilitar contactos políticos e institucionais nos Estados Unidos, entrando oficialmente num terreno que, nos últimos anos, tem sido amplamente dominado pelo Estado angolano: o lobby junto dos centros de decisão em Washington.
De acordo com uma notícia avançada pelo jornal Valor Econômico, com base em documentos submetidos ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos ao abrigo do Foreign Agents Registration Act (FARA), o maior partido da oposição angolana contratou a consultora AO Development Company para apoiar a aproximação a membros do Congresso norte-americano, responsáveis da Administração dos EUA, centros de pensamento (think tanks) e órgãos de comunicação social.
Os registos mostram que a empresa recebeu dois pagamentos de 8 mil dólares, realizados em Abril e Maio deste ano, totalizando 16 mil dólares.
Embora o valor seja suficiente para marcar presença institucional nos círculos políticos norte-americanos, a comparação com os recursos mobilizados pelo Executivo angolano evidencia uma diferença de escala significativa.
Segundo dados públicos anteriormente divulgados e citados pelo Valor Econômico, o Estado angolano mantém contratos de lobby e consultoria internacional avaliados em cerca de 5,79 milhões de dólares por ano, através de empresas especializadas em representação política e institucional em Washington.
Na prática, os números mostram que o montante associado à operação da UNITA corresponde a uma fração mínima dos valores mobilizados pelo Executivo angolano, cerca de 360 vezes inferior.
Os investimentos em lobby internacional por parte de Angola não são recentes. Registos públicos norte-americanos indicam que, desde 2019, entidades estatais angolanas canalizaram mais de 15 milhões de dólares para actividades de influência, comunicação estratégica e relações institucionais nos Estados Unidos.
Para o Governo, estas despesas são justificadas como instrumentos para reforçar relações diplomáticas, atrair investimento estrangeiro e melhorar o posicionamento internacional do país.
Já para sectores críticos, os números levantam questões sobre prioridades financeiras, transparência e o impacto concreto destes investimentos para os cidadãos angolanos.
Com esta contratação, a UNITA demonstra que também pretende disputar espaço no plano internacional, procurando ampliar canais de diálogo e influência junto dos principais actores políticos dos Estados Unidos, ainda que, para já, com recursos muito inferiores aos do Estado angolano.
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Romão de Jesus
Redactor do Elite Post · 10 de Junho de 2026
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